terça-feira, 8 de setembro de 2009

Espetáculos 2009: Bailei na Curva

.
Começando a série – Espetáculos 2009, vou escrever um pouco sobre a peça Bailei na Curva que será apresentada pela turma dos 2º e 3º colegiais.

Elenco original do Bailei na Curva em 1983 - Grupo do Jeito Que Dá.
Lucia Serpa, minha professora é a última da direita


Trata-se de um espetáculo gaúcho, talvez o de maior sucesso do Rio Grande. O texto foi montado coletivamente através de improvisações dos atores Flavio Bicca, Márcia do Canto, Hermes Mancilha, Regina Goulart, Claudia Accurso e Lúcia Serpa (essa última foi minha professora de voz no Teatro Escola Célia Helena entre os anos de 1995 e 1996). O roteiro final ficou a cargo de Julio Conte. Eles formavam o grupo “Do Jeito Que Dá”. Estreou em 1983 e teve diversas montagens de diversos grupos. Eu mesmo já o encenei como ator em 1996.




Cenas do "meu" Bailei na Curva encenado em 1996 no Teatro Escola Célia Helena

Adoro esse texto e recomendo a todos utilizarem com seus alunos. Ele fala de amizade, união e transformações. Muitas transformações. Em resumo, mostra a trajetória de sete crianças nas décadas 60, 70 e 80. Seu pano de fundo é o golpe militar de 1964 e todas as conseqüências que esse fato político trouxe para o cotidiano de cada um. A trilha sonora proposta é fantástica.


A trajetória das personagens nas décadas de 60, 70 e 80

Será a primeira vez que vou dirigi-la, embora tenha usado diversas cenas dessa peça em outros espetáculos. A primeira peça que montei no Teatrando em 2000 chamava-se “Pais e Filhos”. Foi montada com uma adaptação das cinco primeiras cenas do Balei na Curva. Também usei "pedaços" da peça em outras montagens como uma passagem sobre uma briga entre meninos e meninas, uma cena sobre um baile de garagem, uma situação de namoro no carro e outra sobre um hippie na beira da estrada pedindo carona. Pelo tema percebe-se que são clássicos.


Atual elenco oficial de "Bailei na Curva" na cena do Namoro no carro e na Escola


Mas estranhamente o Bailei propõem um desafio ao grupo que pretende montá-la: manter o bom ritmo em toda a sua duração. O espetáculo começa muito animado, com alta velocidade e cenas cômicas. Permanece assim até a metade e depois cai. Provavelmente porque no início, as personagens são crianças, depois se transformam em adolescente e no final são adultas.

Na minha visão, os aspectos políticos e sociais de cada personagem fazem com que atores e diretores dramatizem excessivamente a metade final, o que é um erro. Sim, o Bailei na Curva fala de uma época tenebrosa para o Brasil, mas ele não é um texto dramático. É uma peça de celebração e de reflexão. Transmite a esperança dos sobreviventes dessa época em ter um país melhor para se viver. A música final com o título de Horizontes, de Elaine Geyser diz tudo:

Há muito tempo que ando
Nas ruas de um Porto não muito Alegre
E que, no entanto, me traz encantos
Que um pôr-do-sol me traduz em versos
De seguir livre muitos caminhos
Arando terras, provando vinhos
De ter idéias de liberdade
De ver amor em todas as idades
Nasci chorando em Moinhos de Vento
Subir no bonde, descer correndo
A boa funda de goiabeira
Jogar bolita, pular fogueira
Sessenta e quatro, sessenta e seis,
Sessenta e oito, um mau tempo, talvez
Anos setenta, não deu pra ti
E nos oitenta, eu não vou me perder por aí.
Anos setenta, não deu pra ti
E nos oitenta, eu não vou me perder por aí.

Ouça e veja uma encenação com essa canção:
http://www.youtube.com/watch?v=BsRKuY83wHk&feature=related

O elenco que topou esse desafio :

Beatriz Arbex
Francisco Abrão
Isabel Arbex
Isaura Fernandes
João Francisco Daniel
Luisa Napoli
Marina Toporovski
Paula Baliero
Paula Ribeiro
Thaís Petri

As apresentações desse espetáculo serão nos dias 15 e 17 de dezembro de 2009, sempre às 21h00 no Teatro Nair Bello. Publicarei o calendário completo das apresentações mais adiante.

Teatrando Social – Uma ação de voluntariado

.
Reclamar do poder público é um dos esportes favoritos do brasileiro, pois não nos faltam motivos. Talvez o que nos falte é entender que fazemos parte de uma sociedade e que também devemos fazer algo para ajudar ao invés de só apontar os erros.

Foi com essa idéia que junto com alguns parceiros começamos um trabalho voluntariado. Desde 2007, toda a sexta feira, das 14h00 até as 16h00, eu dou aulas de teatro para um grupo de crianças carentes. A essa atividade batizei de Teatrando Social.

Alunos da turma de 2007

As aulas são ministradas numa ampla sala da academia AquaSport da Vila Mariana. Há tempos a Cida, mãe de um ex-aluno do Teatrando, que trabalha em uma das lojas dentro da academia, estava com a idéia de realizar alguma atividade de cunho social. Entrou em contato comigo e perguntou se eu não me interessava em ajudá-la. Coincidência ou não, eu já estava pensando em atuar como voluntariado há alguns meses. Topei na hora.


Ela pesquisou e encontrou uma casa de assistência a crianças carentes na Vila Mariana - a Associação Beneficente Santa Fé. Conseguiu um transporte para as crianças e assim começamos as atividades. Chegamos a montar um espetáculo nesse primeiro ano lá no Teatro Bibi Ferreira.

Em 2008, mudamos de instituição e agora trabalhamos com o CEJOLE - CENTRO DE EDUCAÇÃO POPULAR SANTA JOANA DE LESTONNAC, que fica em numa comunidade em Americanópolis, na região do Aeroporto de Congonhas. A assistente social responsável é a Rejane, uma pessoa muito empenhada em ajudar as crianças.

Em março desse ano ganhei uma assistente: minha querida ex-aluna Vivian Petri me acompanha todas as sexta feiras. A molecada vibra a cada aula e guardam com carinhos os ensinamentos semanais. No final do ano, vamos realizar um espetáculo com o tema esperança.

O que posso oferecer de mais valioso ao próximo, senão o que faço como profissão?




Aquasport – Rua Dr. Amâncio de Carvalho, 308 – Vila Mariana – São Paulo.
Site: http://www.aquasport.com.br/