domingo, 18 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
NOVO SITE DO TEATRANDO

Imagem do site do Teatrando
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Espetáculos 2009: Bailei na Curva

Elenco original do Bailei na Curva em 1983 - Grupo do Jeito Que Dá.
Lucia Serpa, minha professora é a última da direita
Trata-se de um espetáculo gaúcho, talvez o de maior sucesso do Rio Grande. O texto foi montado coletivamente através de improvisações dos atores Flavio Bicca, Márcia do Canto, Hermes Mancilha, Regina Goulart, Claudia Accurso e Lúcia Serpa (essa última foi minha professora de voz no Teatro Escola Célia Helena entre os anos de 1995 e 1996). O roteiro final ficou a cargo de Julio Conte. Eles formavam o grupo “Do Jeito Que Dá”. Estreou em 1983 e teve diversas montagens de diversos grupos. Eu mesmo já o encenei como ator em 1996.


Adoro esse texto e recomendo a todos utilizarem com seus alunos. Ele fala de amizade, união e transformações. Muitas transformações. Em resumo, mostra a trajetória de sete crianças nas décadas 60, 70 e 80. Seu pano de fundo é o golpe militar de 1964 e todas as conseqüências que esse fato político trouxe para o cotidiano de cada um. A trilha sonora proposta é fantástica.




Atual elenco oficial de "Bailei na Curva" na cena do Namoro no carro e na Escola
Mas estranhamente o Bailei propõem um desafio ao grupo que pretende montá-la: manter o bom ritmo em toda a sua duração. O espetáculo começa muito animado, com alta velocidade e cenas cômicas. Permanece assim até a metade e depois cai. Provavelmente porque no início, as personagens são crianças, depois se transformam em adolescente e no final são adultas.
Na minha visão, os aspectos políticos e sociais de cada personagem fazem com que atores e diretores dramatizem excessivamente a metade final, o que é um erro. Sim, o Bailei na Curva fala de uma época tenebrosa para o Brasil, mas ele não é um texto dramático. É uma peça de celebração e de reflexão. Transmite a esperança dos sobreviventes dessa época em ter um país melhor para se viver. A música final com o título de Horizontes, de Elaine Geyser diz tudo:
Nas ruas de um Porto não muito Alegre
E que, no entanto, me traz encantos
Que um pôr-do-sol me traduz em versos
De seguir livre muitos caminhos
Arando terras, provando vinhos
De ter idéias de liberdade
De ver amor em todas as idades
Nasci chorando em Moinhos de Vento
Subir no bonde, descer correndo
A boa funda de goiabeira
Jogar bolita, pular fogueira
Sessenta e quatro, sessenta e seis,
Sessenta e oito, um mau tempo, talvez
Anos setenta, não deu pra ti
E nos oitenta, eu não vou me perder por aí.
Anos setenta, não deu pra ti
E nos oitenta, eu não vou me perder por aí.
Ouça e veja uma encenação com essa canção:
http://www.youtube.com/watch?v=BsRKuY83wHk&feature=related
O elenco que topou esse desafio :
Beatriz Arbex
Francisco Abrão
Isabel Arbex
Isaura Fernandes
João Francisco Daniel
Luisa Napoli
Marina Toporovski
Paula Baliero
Paula Ribeiro
Thaís Petri
As apresentações desse espetáculo serão nos dias 15 e 17 de dezembro de 2009, sempre às 21h00 no Teatro Nair Bello. Publicarei o calendário completo das apresentações mais adiante.
Teatrando Social – Uma ação de voluntariado
Foi com essa idéia que junto com alguns parceiros começamos um trabalho voluntariado. Desde 2007, toda a sexta feira, das 14h00 até as 16h00, eu dou aulas de teatro para um grupo de crianças carentes. A essa atividade batizei de Teatrando Social.
Alunos da turma de 2007
As aulas são ministradas numa ampla sala da academia AquaSport da Vila Mariana. Há tempos a Cida, mãe de um ex-aluno do Teatrando, que trabalha em uma das lojas dentro da academia, estava com a idéia de realizar alguma atividade de cunho social. Entrou em contato comigo e perguntou se eu não me interessava em ajudá-la. Coincidência ou não, eu já estava pensando em atuar como voluntariado há alguns meses. Topei na hora.
Ela pesquisou e encontrou uma casa de assistência a crianças carentes na Vila Mariana - a Associação Beneficente Santa Fé. Conseguiu um transporte para as crianças e assim começamos as atividades. Chegamos a montar um espetáculo nesse primeiro ano lá no Teatro Bibi Ferreira.
Em 2008, mudamos de instituição e agora trabalhamos com o CEJOLE - CENTRO DE EDUCAÇÃO POPULAR SANTA JOANA DE LESTONNAC, que fica em numa comunidade em Americanópolis, na região do Aeroporto de Congonhas. A assistente social responsável é a Rejane, uma pessoa muito empenhada em ajudar as crianças.
Em março desse ano ganhei uma assistente: minha querida ex-aluna Vivian Petri me acompanha todas as sexta feiras. A molecada vibra a cada aula e guardam com carinhos os ensinamentos semanais. No final do ano, vamos realizar um espetáculo com o tema esperança.
O que posso oferecer de mais valioso ao próximo, senão o que faço como profissão?
Site: http://www.aquasport.com.br/
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Apresentação no fim do curso: Fazer ou não fazer? Eis a questão...
Já conversei com alguns companheiros de profissão sobre o assunto. Alguns são contrários, mas a grande maioria é favorável a conclusão do curso de teatro com uma apresentação.
A exposição de crianças despreparadas na frente de um público e a pressão da obrigação de “ter que se apresentar a qualquer custo”, são os argumentos mais fortes de quem é contra. Esses profissionais acreditam que o teatro aplicado nas escolas tem um caráter exclusivamente pedagógico, excluindo o lado artístico. Suas aulas se resumem somente a aplicação dos exercícios teatrais. Acreditam apenas na força do teatro como terapia coletiva.
Dependendo do perfil dos alunos com quem se trabalha, pode até dar certo. Mas recomendo aos professores retirar o nome “teatro” das aulas. Quando você anuncia que vai dar “aulas de teatro” a expectativa imediata das crianças é a de que haverá uma apresentação. A associação entre teatro e platéia é automática. E quando cria-se a expectativa, tem-se a obrigação de cumpri-la sob pena de desmotivação. É aí que reside a minha defesa nas apresentações de final de curso. Por melhor que seja o professor, os jogos e a dinâmica da aula, a apresentação é o objetivo concreto que dá sentido ao que foi aprendido. A apresentação é o fator motivacional que irá dirigir o grupo até o final do curso. E numa sociedade como a nossa, onde o aprendizado sem uma avaliação é ainda visto com algum preconceito, precisamos proporcionar aos alunos uma finalização. Não significa render-se a um sistema de educação ultrapassado, mas sim de integrar o teatro de maneira eficiente e atrativa as crianças de hoje.
Todos nós que trabalhamos o teatro nas escolas com uma preocupação educacional, sabemos que o ensinamento das artes cênicas vai além das apresentações. Portanto devemos aprender a conviver com a necessidade da apresentação, sem orientar o curso somente para ela. A montagem do fim do ano deve ser vista como mais um instrumento pedagógico que o teatro nos proporciona.
Confraternização com a plateia - momentos marcantes para o aluno
Eu concordo com os problemas levantados no início do texto. Existem crianças que não estão preparadas para as apresentações e para as pressões que irão enfrentar no palco. Daí a importância do trabalho do teatro nas escolas ser realizado por profissionais sérios, com uma visão além da artística. Aí entra o lado do pedagogo, orientando e negociando como pode ser a participação de uma criança com determinada dificuldade. O teatro é muito generoso e tem lugar para todos. Ela pode inicialmente, realizar um papel menor com menos falas ou apenas uma figuração. Se não for possível, ela pode ajudar na técnica ou auxiliar o professor na direção. A conversa nessas horas é fundamental. Acredito ser possível tirar essa pressão das apresentações e desmistificar o contato com a platéia.
Os “mais xiitas” poderão dizer que estamos estimulando a vaidade nas crianças. Bom, professor está em sala de aula justamente para orientar. E a vaidade vai estar presente ou não, independente do teatro. Mas isso é assunto para outro dia...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Volta as aulas - Graças a Deus!
- "As Mil e Uma Noites de Sherazade" por Gilson Totti Dias
- "Bang !Bang! Você Morreu!" de William Mastrosimone
- "Em Família" de Oduvaldo Vianna Filho
- "O Mágico de OZ" de Frank Baum
- "Bailei na Curva" de Julio Conte e o Grupo Do Jeito Que Dá
- "Cowgirls – Faroeste Feminino" de Gilson Totti Dias
- "Pérola" de Mauro Rasi
Em breve publicarei a sinopse das peças, bem como o elenco e a proposta de cada classe.
Não deixe de comentar o blog!
É o início - O momento mágico
Meu nome é Gilson, sou professor e idealizador do Teatrando, curso de teatro ministrado nas Escolas Carandá e Novo Ângulo Novo Esquema – duas instituições particulares de ensino que juntas reúnem 95 alunos de teatro. Em março de 2010 completarei dez anos ininterruptos de ensino.
Logo registrado do Curso TeatrandoAlunos do Teatrando em evento na Escola Carandá
O mais importante é que, com a convivência diária dentro da escola, com professores, diretores, coordenadores e principalmente com os alunos, despertei o meu lado de educador – tão importante quanto o lado do artista. Não gosto do rótulo “arte-educador” ou “arte-educação”. Essa denominação diminui a importância do teatro na escola. Já foi dita tantas vezes e aplicada tão sem critério, que caiu na banalidade. Ouvimos tanto que já não tem um significado atual - o do teatro como uma das mais completas ferramentas pedagógicas.
Peça encenada no Teatro Bibi Ferreira em dezembro de 2008
Como perceberam, sinto a necessidade de expor e trocar idéias. E essa é uma das razões que resolvi fazer esse blog. Mas, para não ir de encontro ao que escrevi no último parágrafo, também quero me colocar a disposição de qualquer pessoa, seja educador ou aluno, pedagogo ou ator, idéias que desenvolvi nesses quase dez anos de aula. São dicas de exercícios, tipos de aulas, peças para alunos, minhas experiências com pais e alunos e muitas outras coisas. Só peço que antes de pedir, participem das discussões desse recém nascido blog.
Elenco de Tutti Buona Gente com a turma de 2008
Minha pretensão é de atualizá-lo semanalmente, inclusive com notícias sobre as aulas do Teatrando. Dependendo do período do ano, poderei fazê-lo com maior ou menor freqüência. E como gosto de trocar idéias, posso voltar de uma hora para a outra.








