quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Apresentação no fim do curso: Fazer ou não fazer? Eis a questão...

Fim de apresentação com alunos do Teatrando

Já conversei com alguns companheiros de profissão sobre o assunto. Alguns são contrários, mas a grande maioria é favorável a conclusão do curso de teatro com uma apresentação.

A exposição de crianças despreparadas na frente de um público e a pressão da obrigação de “ter que se apresentar a qualquer custo”, são os argumentos mais fortes de quem é contra. Esses profissionais acreditam que o teatro aplicado nas escolas tem um caráter exclusivamente pedagógico, excluindo o lado artístico. Suas aulas se resumem somente a aplicação dos exercícios teatrais. Acreditam apenas na força do teatro como terapia coletiva.

Dependendo do perfil dos alunos com quem se trabalha, pode até dar certo. Mas recomendo aos professores retirar o nome “teatro” das aulas. Quando você anuncia que vai dar “aulas de teatro” a expectativa imediata das crianças é a de que haverá uma apresentação. A associação entre teatro e platéia é automática. E quando cria-se a expectativa, tem-se a obrigação de cumpri-la sob pena de desmotivação.

É aí que reside a minha defesa nas apresentações de final de curso. Por melhor que seja o professor, os jogos e a dinâmica da aula, a apresentação é o objetivo concreto que dá sentido ao que foi aprendido. A apresentação é o fator motivacional que irá dirigir o grupo até o final do curso. E numa sociedade como a nossa, onde o aprendizado sem uma avaliação é ainda visto com algum preconceito, precisamos proporcionar aos alunos uma finalização. Não significa render-se a um sistema de educação ultrapassado, mas sim de integrar o teatro de maneira eficiente e atrativa as crianças de hoje.

Todos nós que trabalhamos o teatro nas escolas com uma preocupação educacional, sabemos que o ensinamento das artes cênicas vai além das apresentações. Portanto devemos aprender a conviver com a necessidade da apresentação, sem orientar o curso somente para ela. A montagem do fim do ano deve ser vista como mais um instrumento pedagógico que o teatro nos proporciona.














Confraternização com a plateia - momentos marcantes para o aluno


Eu concordo com os problemas levantados no início do texto. Existem crianças que não estão preparadas para as apresentações e para as pressões que irão enfrentar no palco. Daí a importância do trabalho do teatro nas escolas ser realizado por profissionais sérios, com uma visão além da artística. Aí entra o lado do pedagogo, orientando e negociando como pode ser a participação de uma criança com determinada dificuldade. O teatro é muito generoso e tem lugar para todos. Ela pode inicialmente, realizar um papel menor com menos falas ou apenas uma figuração. Se não for possível, ela pode ajudar na técnica ou auxiliar o professor na direção. A conversa nessas horas é fundamental. Acredito ser possível tirar essa pressão das apresentações e desmistificar o contato com a platéia.














Alunos da Escola Novo Ângulo Novo Novo Esquema
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Para que erros não sejam cometidos nesse processo, é necessário descobrir dentro do grupo, qual o perfil de cada criança. A pior situação para um profissional da área é entrar numa sala de aula sem saber com quem está trabalhando. Informação pedagógica é fundamental para o professor de teatro.

Eu entendo a preocupação dos profissionais que não gostam da obrigação de ter que apresentar espetáculos como conclusão de curso. São pessoas idealistas que acreditam em outro caminho para a educação. Mas negar aos que fazem teatro as apresentações, me parece radical demais. Tem muita criança que vai ao curso justamente para ter o prazer de mostrar aos familiares e amigos o seu trabalho.


Os “mais xiitas” poderão dizer que estamos estimulando a vaidade nas crianças. Bom, professor está em sala de aula justamente para orientar. E a vaidade vai estar presente ou não, independente do teatro. Mas isso é assunto para outro dia...
Alunos emociondos com o "O Diário de Anne Frank"
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